sábado, 25 de abril de 2009

Signos – Parte 03

O mito que cerca o signo de Gêmeos é, de longe, um dos mais polêmicos. Em cada manual mitológico se erguem pelo menos duas versões sobre a mesma estória. Aqui, relato a que considero mais bela, retirada do livro As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica.

Há muito, muito tempo atrás, Zeus, o deus dos deuses, se enamorou por uma jovem moça chamada Leda. Encantado, assumiu a forma de um formoso cisne e a atraiu até uma oculta caverna, onde lhe preencheu o ventre com seu líquido divino.
Passados nove meses, Leda dava a luz a dois ovos: de um, saíram Cástor e Helena (aquela de Tróia); do outro, saíram Clitemnestra e Pólux.
Cástor e Pólux eram irmãos gêmeos unidos por uma fina amizade e pelo amor à aventura, sendo um adestrador de cavalos e feras e outro mestre em pugilismo. Demonstraram sua coragem quando fizeram parte do grupo grego que perseguiram a bela Helena, raptada por Páris; e quando engrossaram a fileira dos Argonautas (aqueles do signo de Áries).
Entretanto, não foi em meio a glórias armadas que amarguraram derrotas, mas sim no combativo e imprevisível campo do amor. Os jovens de apaixonaram por duas moças – Hilária e Febe – que já estavam prometidas para outros irmãos gêmeos – Idas e Linceu. Tentam roubá-las, levá-las em cavalos, mas Idas e Linceu aparecem e se travaram duas lutas homem a homem.
Em um mesmo campo, gêmeos contra gêmeos. Pólux enfrentaria Linceu enquanto, ao seu lado, Cástor deveria dar uma lição em Idas.
A luta começa.
Pólux se diverte. Linceu era grande, mas lento. Tinha força, mas lhe faltava técnica. Pula de um lado para o outro e, rapidamente, vê o adversário perder o fôlego. Arrisca um toque, dois, três... E golpeia-o de verdade. O supercílio se rasga e seu rosto fica banhado em sangue. Pólux gargalha face o desespero daquele gigante ensangüentado. Sem dó, lhe aplica mais um golpe, dessa vez no nariz. Mais sangue se esvai. Um cruzado de direta e três dentes voavam da boca e, antes que pudesse se recuperar, outro cruzado, agora com a mão esquerda de Pólux, fazia o grande Linceu girar a cabeça 180 graus, perder mais dois dentes e cair nocauteado no chão.

Pólux ergue o braço – a vitória era sua.

Volta-se para o irmão, domador de cavalos, que travava uma luta equilibrada com Idas. Cástor lhe dirige uma piscadela, cumprimentando-o pela vitória, e perde um precioso segundo – segundo que Idas usa para lhe aplicar um murro na cabeça que o nocauteia instantaneamente. O irmão de Linceu usava uma ferradura dentro das luvas.


Cástor morre.


Enfurecido, Pólux espanca o assassino de seu irmão e chora. Chora se perguntando a Zeus porque Cástor não era imortal como ele. A verdade é que Zeus era pai apenas de Pólux e de Helena: Cástor e Clitemnestra eram filhos de Tíndaro, marido de Leda e, assim sendo, jamais foram semideuses.
Em meio ao pranto e ao desespero, Pólux abre a mão da própria vida eterna em troca da alma do irmão.
Zeus, compadecido, tenta negociar com Hades a vida do garoto, mas o deus dos Ínferos se nega. “Impossível”, disse ele a Zeus, “ Impossível um homem retornar da morte sem que um alto preço seja pago”.
Mas o jovem estava disposto a pagar o fosse: abre mão de sua imortalidade para poder reencontrar seu irmão. Hades aceita o preço e os gêmeos passaram, então, a viver seis meses do ano nos Ínferos e os outros seis meses no Olimpo, eternamente juntos.

Puxando a orelha

Bonitos vocês, não é? Quando há lista de exercícios, eu nem respiro na Instrutoria! E, como sempre, eu digo: “gente... só posso respondê-la quando vocês entregarem o gabarito.”.
Pois é.
O gabarito foi entregue.
E onde vocês estavam na quinta-feira à tarde que não me procuraram para resolvê-la?
Hunf!
Ok, eu entendo a concorrência interna, mas mais importante que entrar para a Turma Top, Turma Bottom, Turma Alfa, Turma Beta, Turma XYZ³¹² é passar no vestibular. Certo?
Assim sendo, me procurem.
Eu fiz essa última lista e podemos discorrer de forma divertida acerca dos pegas sacanas que nela coloquei.
Ok?

Aula 16 – Falência Colonial – Parte 02

Conforme havia prometido, continuo aqui a falar sobre Tiradentes. Francisco José da Silva Xavier foi um homem usado pelos inconfidentes como tradutor social: era Tiradentes quem andava a preparar o terreno para a revolução em meio à massa, que não teria conhecimento para digerir as informações que os revoltosos elitistas falavam. Entretanto, como a Inconfidência foi um movimento fraco, Tiradentes não recebe todas as glórias a que tem. Foi durante a República Velha que a sua imagem recebeu o dom das “cristianização” e que sua fama foi tecida, visto que o novo governo precisava de heróis para disseminar suas idéias com mais facilidades, com exemplos palpáveis.
Dentro dessa imagem de luta, mais interessante teria sido utilizar a Revolução Dos Alfaiates (Inconfidência ou Conjuração Baiana). Por quê? Perceba com a pequena comparação abaixo acerca dos dois movimentos:


INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Elitista
- Formada por membros intelectualizados da sociedade mineira
Escravista
- Manteria o sistema de trabalho escravista dentro das minas
Separatista
- Vislumbrava a criação de um Estado Mineiro

CONJURAÇÃO BAIANA

Popular
- Formada pela massa simples baiana
Abolicionista
- Findaria o regime de escravidão no Estado
Emancipacionista
- Vislumbrava o rompimento com Portugal e a independência do Brasil


A Conjuração, seria, muito mais emblemática para uma nova República, apesar de ter tido tantos efeitos práticos quanto à Inconfidência. Mas por que, então, ela não foi utilizada? Simples: por ser uma luta de pessoas simples. Imbecil, não?


Abaixo, conforme havia prometido, a letra da música Ninguém = Ninguém, dos Engenheiros do Hawaii, em que vislumbramos o paradoxo das duas lutas brasileiras, e as imagens de Tiradentes e Cristo utilizadas em sala de aula.


Ninguém = Ninguém

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém

Me encanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro

Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém = ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes

Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém = ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais...
uns mais iguais...





segunda-feira, 20 de abril de 2009

Aula 16 – Falência Colonial – Parte 01

Da Europa para o Mundo, se espalhava como leite derramado as idéias de filósofos, cientistas, historiadores e toda uma corja de pensadores a chamada veia Iluminista.
O Iluminismo consistia, de acordo com Immanuel Kant, em uma porta construída em meio a uma muralha erguida pelo próprio ser humano e que lhe impedia de vislumbrar a luz solar, em meio a sombras e trevas. À época, a elite aurífera brasileira enviava seus filhos para lá estudar graças ao produto obtido em suas ricas minas. Entretanto, com o passar dos anos, o ouro foi se extinguindo, os impostos foram aumentando (a Derrama viria completar o Quinto) e manter crias na Europa se tornou uma tarefa hercúlea. Assim sendo, os garotos tiveram que voltar.
Voltaram cheios de idéias na cabeça (Iluminismo) e de exemplos (Independência dos Estados Unidos) a lhes incomodar. “Se as Treze Colônias se livraram da maior potência mundial, é possível que nos libertemos de Portugal!”.
Ao menos, era essa a esperança dos garotos. Se organizaram em um movimento elitista (elite aurífera), separatista (queria a Independência da Região das Minas Gerais) e escravista. Mas não foram longe.
A Inconfidência, ao contrário do que se prega, foi um fogo de palha logo molhado por Joaquim Silvério dos Reis que, observando a falta de organização do movimento, achou melhor delatar a humanidade em troca do perdão dos seus impostos. E assim se fez.
A rainha Dona Maria (futura A Louca) exila e expulsa boa parte dos garotos e usa aquele não nobre como exemplo do poder real e esquarteja, então, Tiradentes.
Qual a importância do movimento, então, na História do Brasil? Formalmente, nenhuma. E a de Tiradentes? Veremos no próximo post.

domingo, 19 de abril de 2009

Aula 15 – Revolução Industrial

Revolução: mudança brusca. Industrial: relacionado à Indústria. Revolução Industrial: mudança brusca a Indústria. Se você compreender isso, temos meio caminho andado para arrasarmos no vestibular da UnB em Revolução Industrial.
Junto com a Francesa, a Revolução Industrial descortina a contemporaneidade. Na França, floresce a Política; na Inglaterra, floresce a Economia.
Antes da Revolução, a Inglaterra passa por uma série de transformações que a colocam nos trilhos para expandir a Indústria. Sob uma ótica Iluminista – Adam Smith aqui em muito influencia a humanidade – a terra das Rainhas adquire o capital que precisava – seja de formas lícitas como o Tratado de Meethuen, seja de formas ilícitas como o financiamento de corsários – e a reorganização territorial a que as indústrias precisavam.
Meethuen (ou panos e vinhos) garante o ouro brasileiro à Inglaterra. É um tratado assinado entre a casa dos Bragança, em Portugal, e a Inglaterra.
Corsários são piratas que navegam sob a bandeira e proteção de um Estado.
A reorganização vem por meio dos chamados “Atos de Cercamento”, com os quais a Inglaterra redivide a terra e põe fim aos outrora chamados Mansos Comunais (Common Lands), que eram basicamente florestas e pântanos, onde viviam as pessoas sem terras. Agora, tais terras viraram pasto, em um primeiro momento, para a obtenção de lã – matéria prima da indústria têxtil.
Tudo caminhou para que Indústrias movidas à água fossem criadas. E essa NÃO é a revolução industrial. O grande marco da R.I. será o COMBUSTÍVEL. Quando você passa a queimar carvão e não está mais preso à regiões ricas em água, tem-se um boom fabril e a ilha passa a produzir como jamais havia produzido em toda a sua vida.
A música da aula foi Revolution, dos Beatles, porque... Oras! Quem melhor em uma aula de Revolução Industrial que britânicos para cantar sobre a dita?


Revolution

You say you want a revolution
Well you know
We all want to change the world

You tell me that it's evolution
Well you know
We all want to change the world

But when you talk about destruction
Don't you know you can count me out

Don't you know it's gonna be

Alright
Alright
Alright

You say you got a real solution
Well you know
We'd all love to see the plan

You ask me for a contribution
Well you know
We're all doing what we can

But if you want money for people with minds that hate
All I can tell you is brother you have to wait

Don't you know it's gonna be

Alright
Alright
Alright

You say you'll change the constitution
Well you know
We'd all love to change your head

You tell me it's the institution
Well you know
You'd better free your mind instead

But if you go carrying pictures of Chairman Mao
You ain't going to make it with anyone anyhow

Don't you know it's gonna be

Alright
Alright
Alright


Revolução

Você diz que você quer uma revolução
Bem, você sabe...
Todos nós queremos mudar o mundo

Você me diz que isso é uma evolução
Bem, você sabe.
Todos nós queremos mudar o mundo

Mas quando você fala em destruição,
Você sabe que não pode contar comigo

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem

Você diz que você tem a solução real
Bem, você sabe...
Todos nós adoraríamos ver o plano

Você me pede uma contribuição
Bem, já sabe...
Todos nós fazemos o que podemos

Mas se você quer o dinheiro para pessoas que só tem ódio na mente
Tudo o que digo, irmão, é que você terá que esperar

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem

Você diz que você mudará a constituição
Bem, você sabe...
Todos nós queremos mudar a sua cabeça

Você me diz que isso é a instituição,
Bem, você sabe...
É melhor você libertar sua mente

Mas se você vai andar com fotos do Camarada Mao*
Também não vai convencer a ninguém

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem
Tudo bem
Tudo bem

* Mao-Tsé Tung. Matéria sua de geografia.

domingo, 12 de abril de 2009

A Carta de Caminha

Para quem está curioso, para quem quer ler na íntegra esse fantástico texto, vou deixar aqui um link da carta hospedada no site da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Não consegui abrir o carta no Domínio Público, então abusarei dessa versão. Quando o tempo me for uma longa constante, farei a tradução da carta para um português mais acessível, mas admito que não é necessário muito mais que um dicionário online para que ela se faça totalmente compreensível, ok?

Aula 14 – Ciclo aurífero

Em Al-Ksar Al-Kebir, D. Sebastião, rei de Portugal, evapora. Seu parente mais próximo, D. Fernando, assume o trono, mas, por ter feito votos de castidade, não tinha herdeiros oficiais. Passados apenas dois anos sobre o trono português, Fernando falece. Falece e vemos, então, a antiga dinastia Avis extinguir. E mais uma vez, a Lusitânia afundava em uma crise dinástica.
Antes, quando o último Castela falece, D. João de Avis sobe ao trono. Dessa vez, isso não iria se repetir. Felipe da Espanha reclama o trono e o recebe. Temos, então, a chamada União dos Tronos Ibéricos (Portugal e Espanha). Ou, simplesmente, União Ibérica.

União que vai causar mal estar, visto que Espanha e Holanda se odiavam. Assim sendo, D. Felipe corta relações com os holandeses que, indignados, invadem o Brasil e fundam a Nova Amsterdã Brasileira.
Passados 60 anos (1580 – 1640) a união das coroas conhecerá seu fim quando a casa dos Bragança se une com a Inglaterra e depõe Filipe III – que havia reinado mal Portugal – e a paz volta a reinar (em termos). O tempo que os Holandeses ficaram no Brasil foi mais que suficiente para que aprendessem a tratar a cana e dê-la fazer açúcar. A concorrência se fez e o açúcar brasileiro perdeu seu mercado. Agora, quem tinha pequenos engenhos tinha que se virar para sobreviver. E na ânsia de um novo produto, uma nova terra, uma nova promessa, o ouro brasileiro desponta.

Na Região das Minas Gerais, teremos o que é descrito como “A Febre Amarela”. A Europa se esvazia, Portugal quase morre e o Brasil incha perante o metal mais cobiçado da Terra. Metal que não era dado a torto e a direito: quem achasse o precioso metal nas terras que pertencem a Portugal devia avisar a coroa, que mandaria especialistas para constatar se o ouro ali descoberto era uma simples faísca (apenas um pedaço de ouro) ou um veio (quilômetros e quilômetro do elemento). Caso o veio fosse identificado, um lote (data) ia para o descobridor e as terras dos arredores eram divididas e vendidas a preços gigantescos. Preços pagos por uma terra que poderia ou não possuir ouro e fez com que, assim, o Brasil conhecesse finalmente uma vasta classe média.

Todo o domínio do ouro extraído, bem como a retenção de impostos, era feito pela Intendência das Minas que, ao receber o ouro a ser cunhado e selado, ficava com um quinto da produção do mineiro para que, ao final de um ano, se obtivessem cem arrobas (1500 kg) que teriam como destino os cofres de Portugal e da Inglaterra. Entretanto, ao longo dos anos, o ouro conhece seu esgotamento. Assim sendo, mesmo se puxando o quinto, não se conseguia formar os 1500 kg. É quando surge Marquês de Pombal e sua (para os brasileiros) pavorosa Derrama – um imposto complementar ao quinto.
O imposto será tão odiado que a região das minas irá se rebelar. Mas isso é assunto de uma outra aula. Por enquanto, Chico Buarque com a música Vai Passar fica aí para vocês.


Vai passar

Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

Aula 13 – Ciclo açucareiro

Açúcar no cais do porto – é na estiva, na estiva. Quem lá trabalha se sente morto... A alma morta, mas a carne ainda viva. Era tudo igual, era todo dia.
Portugal começa a se preocupar com navegações de outros países que costeavam a sua colônia. Até 1532, o Brasil servia apenas como área de descanso – para navegadores – e como área de desocupação portuguesa – com o envio de degredados para a região (assaltantes, assassino, cristãos novos, prostitutas). Mas como o uti possidetis era lei mundial, a coroa lusitana aplica na ex Terra de Santa Cruz o sistema de capitanias outrora utilizado nas ilhas portuguesas ao longo do Atlântico.
O Brasil fica a meses de distância de Portugal; o Brasil tem um clima avesso ao Europeu; o Brasil era a casa dos degredados. Nobre português algum queria morar por essas terras. Para atrair investimentos, a coroa decide, então, tornas as capitanias hereditárias e concede capital inicial para qualquer conterrâneo que viesse colonizar as terras. Dos que vieram, se destacam Duarte Coelho – na capitânia de Pernambuco – e Martim Afonso de Sousa – na capitânia de São Vicente. Capitânias essas que sobreviveram com o plantio de cana de açúcar.
Ao se plantar cana de açúcar, duas grandes classes sociais se fazem presente: a classe senhorial e a base de trabalho escravista.
Apesar de estar acima da carne seca, a vida do senhor de engenho não é moleza. A comida é escassa e de péssima qualidade. Morriam cedo, normalmente por conta de problemas estomacais.
Já a vida do escravo – aqui já o africano predomina – se mescla com o dia a dia nos engenhos. Plantio, Colheita. Tarefas árduas e com metas a se cumprir. Na moenda, onde a cana vira caldo, observamos o trabalho feminino e acidentes terríveis que custavam membros da população escrava. Na Casa das Caldeiras, ou Casa dos Cobres, o caldo era purgado (purificado) a custa de seis etapas básicas:
01 – Primeiro caldeirão – aqui, o caldo da cana era aquecido a altas temperaturas e a sujeira que subia era retirada com uma escumadeira. Apesar de sujo, o caldo é riquíssimo em açúcares e era dado aos porcos.
02 – Segundo caldeirão – aqui, ainda a altas temperaturas, o caldo recebia decoada (mistura de água e cinzas) para que a sujeira a ele se grudasse, subisse e pudesse ser escumada. Da escumada, os escravos faziam cachaça.
03 – Terceiro caldeirão – ainda altas temperaturas; ainda decoada. É a mais “limpa” das sujeiras e, muitas vezes, era separada para doces para as crianças. Aqui, o ponto do caldo é o chamado melaço.
04 – Primeiro tacho – servia, basicamente, para reduzir a temperatura do caldo. Aqui ele era batido até começar a açucarar. Quando acontecia, ele ia para o...
05 – Segundo tacho – para que o açucaramento não cristalizasse o caldo por completo, você o jogava em outro tacho e batia até a massa ficar fofa. Caso aqui se pare o processo, teremos rapadura.
06 – Terceiro tacho – muda-se a massa para um outro tacho onde ele será batido até que a rapadura comece a açucarar. Quando acontecer tal processo, o caldo é colocado em formas de telha, onde ele vai secar e cristalizar, dando assim origem ao açúcar.

Nos portos brasileiros, chegavam holandeses que recolhiam aquele açúcar bruto, o refinavam e o distribuíam à Europa. E assim o Brasil seguia, economicamente, dentro da lógica açucareira. Mas quando D. Sebastião morre em Portugal, a situação fica tensa...

A música que embalou a aula foi Estivador da banda mineira Skank. Segue aqui a letra:

Estivador

Açúcar no cais do porto
É na estiva, é na estiva
Ás vezes me sinto morto
A alma morta, a carne viva

Podiam me esquecer
É tudo igual, é todo dia

Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga
Capo é um bom selvagem
Empurra o fardo com a barriga

Podiam reconhecer
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador

As putas do porto partem
Na convulsão dos dias quentes
Que voltem, que se fartem
Com meu coraçãozinho ardente

Podiam lembrar de mim
Alguém sincero lembraria
Mas eu seguro a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador.

Se liga na missão!

Atualizei a aula 11 (Grandes Navegações) com a tradução da música Taste of India feita por mim. Ainda hoje, muitas outras atualizações.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Aula 12 – Colonização portuguesa no Brasil

Ao contrário do que se prega, os habitantes da Pindorama (Brasil pré-Cabral) são dignos de estudos sérios. Uma civilização que se formou a mais de dez mil anos e que, ao longo deles, foi demonstrando conhecimentos fantásticos acerca de arte, concepções de vida e morte, cultura de alimentos, higiene. Quando Cabral aporta no litoral nordeste brasileiro, o que se encontrava aqui era um povo vivendo em perfeita harmonia com a natureza – algo tão difícil de vislumbrar na Europa.
Entretanto, considerados “sem fé, sem lei, sem rei”, os nativos brasileiros foram explorados e expurgados e o que realmente deles sobra está enterrado, pois os índios que caminham sobre a nossa terra são mais europeus que nós mesmos.
O processo de colonização do Brasil, em seus primeiros trinta anos, transformou o país em um porto seguro, apenas, para facilitar a navegação até o sul da África – evitando assim o chamado Parafuso do Atlântico.
Foi o momento em que se formaram feitorias no Brasil e um pequeno comércio – quase um setor hoteleiro – se fez. Figuras como João Ramalho e O Caramuru aqui se destacam nesse momento.
O Brasil segue em marasmo por trinta anos, até que a França começa a navegar pela costa brasileira, o que assusta Portugal e exige uma medida mais pesada nessa colonização – teríamos, finalmente, as capitanias hereditárias.

A música da aula é de Arnaldo Antunes, mas foi imortalizada aqui por ninguém mais ninguém menos que a fantástica Marisa Monte.

Volte para o seu lar

Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa

Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa

Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa

Volte para o seu lar
Volte para lá

Volte para o seu lar
Volte para lá

Aula 11 – Grandes Navegações

***** Respondendo ao Anônimo, a música da aula de Idade Moderna é da banda brasileira Angra *****

Portugal se forma em meio a uma História de vingança. D. Afonso, de Castela, havia solicitado a ajuda de seu primo, D. Henrique de Borgonha, para flanquear os exércitos mulçumanos na hoje chamada Guerra da Reconquista. Obtendo significativa vitória, D. Henrique seria recompensado com terras e com D. Teresa, que lhe dá um filho – Afonso Henrique – e uma morte indigna. Ao descobrir a armação, Afonso Henrique expulsa a mãe do condado onde moravam e o eleva a Reino de Portugal. Isso tudo no século XII.
No século XIV, o último rei castelhano em trono português, D. Fernando, falece sem deixar herdeiros. Aproveitando-se da situação, D. João da Espanha reclama o trono a que tinha direito. Entretanto, como Castela ainda estava imersa na Reconquista, os portugueses lhe negam o trono e indicam outra pessoa para o lugar – D. João de Avis.
A família Avis segue bem e, no século XV, terá como figura de destaque o Infante D. Henrique, que reúne na Vila de Sagres pensadores e curiosos em astronomia, física, matemática, cartografia e diversas outras matérias que, combinadas, dão um impulso gigantesco às navegações – que se lançavam ao mar atrás das especiarias orientais.
Entretanto, em 1453, Constantinopla cai nas mãos dos muçulmanos e, com ela, a única rota descente até as Índias. Agora, eram necessárias rotas alternativas para que a Europa continuasse a ser abastecida com pimentas, ervas e temperos.
Portugal tenta contornar a África.
A Espanha tenta contornar o mundo.
De Portugal, saem técnicas.
Da Espanha, sai a América.
Da América, sairá o Brasil.

A música dessa aula foi Taste Of India, da banda Aerosmith. Fantástica para o momento em que homens, bons homens, deram sua vida a troco de punhados de pimenta.


Taste of India

God I love the sweet taste of India
Lingers on the tip of my tongue
Gotta love the sweet taste of India
Blame it on the beat of the drum

God I love the sweet taste of India
Lingers on the tip of my tongue
Gotta know that´s what´s gotten into ya
Any cat man do when it´s done...

Oh yeah she´s got that kind of love incense
That lives in her back room
And when it mixes with the funk, my friend
It turns into perfume

When you are born you´re afraid of the darkness
And then you´re afraid of the light
But I'm not afraid when I dance with my shadow

This time I'm gonna get it right
To think of what I´ll get tonight

Just lookin´ for a little taste, a taste of India
She´ll steal the smile right out of your face

Her yin and yang, Is just the thing
She´s unpredictable my friend

God I love the sweet taste of India
Lingers on the tip of my tongue
Gotta know that´s what´s gotten into ya
Any cat man do when it´s done...

It´s like the first taste love of vindaloo
That sets your heart on fire
And if you let her stuff get into you
It will be all that you desire

When you make love to the sweet tantric priestress
Drinkin´ in the bliss of delight
But I'm not afraid when I dance with her shadow

The time I'm gonna get it right
She´s gonna whet my appetite
Just lookin´ for a little taste, taste of India
She´ll steal the smile right out of your face

She a friend of mine, She a concubine
The sweetest wine, I gotta make her mine

God I love the sweet taste of India
Lingers on the tip of my tongue
Gotta love the sweet taste of India
Blame it on the beat of the drum

God I love that sweet taste of India
Lingers on the tip of my tongue
Gotta know that what´s gotten into ya
Any cat man do when ot´s do

Just think of what I´ll get tonight
She´s gonna whet my appetite
Just Just lookin´ for a little taste, taste of India
She´ll steal the smile right out of your face


***** Atualização *****

Sabor da Índia

Deus eu amo o doce sabor da Índia
O gosto fica na ponta da língua
Deve-se amar o doce saber da Índia
Culpe a batida da bateria

Deus eu amo o doce saber da Índia
O gosto fica na ponta da língua
Deve-se saber o que tem dentro de você
Algum homem gato quando isso termina...

Ah, sim, ela tem aquele tipo de incenso do amor
Aquele que fica no seu quarto dos fundos
E quando se mistura com o funk, meu amigo
Aí vira perfume

Quando você nasce tem medo do escuro
E depois tem medo da luz
Mas eu não tenho medo quando danço com minha sombra

Dessa vez eu vou fazer o certo
Pra pensar no que ganhar essa noite

Apenas procuro por um pouco de sabor, o sabor da Índia
Ela vai arrancar o sorriso da sua cara

Seu Ying Yang é apenas uma cousa
Ela é imprevisível, meu amigo

Deus eu amo o doce saber da Índia
O gosto fica na ponta da língua
Deve-se saber o que tem dentro de você
Algum homem gato quando isso termina...

É como o primeiro sabor agradável de do vindaloo*
Deixa seu coração em chamas
E se você deixar isso entrar em você
Será tudo o que você deseja

Quando você faz amor com sacerdotisas tântricas
Bebendo a alegria do encanto
Eu não tenho medo quando danço com sua sombra

Dessa vez eu vou fazer o certo
Ela vai afiar meu paladar
Apenas procuro por um pouco de sabor, o sabor da Índia
Ela vai arrancar o sorriso da sua cara

Ela é uma amiga, é uma concubina
O mais doce vinho, ela será minha

Deus eu amo o doce sabor da Índia
O gosto fica na ponta da língua
Deve-se amar o doce saber da Índia
Culpe a batida da bateria

Deus eu amo o doce saber da Índia
O gosto fica na ponta da língua
Deve-se saber o que tem dentro de você
Algum homem gato faz o que outros fazem

Só penso no que vou ter essa noite
Ela vai afiar meu paladar
Apenas procuro por um pouco de sabor, o sabor da Índia
Ela vai arrancar o sorriso da sua cara


* Vindaloo – Corruptela do nome “Vinha D’Alhos”. Prato indiano conhecido por seu alto teor de temperos.