sábado, 25 de abril de 2009

Signos – Parte 03

O mito que cerca o signo de Gêmeos é, de longe, um dos mais polêmicos. Em cada manual mitológico se erguem pelo menos duas versões sobre a mesma estória. Aqui, relato a que considero mais bela, retirada do livro As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica.

Há muito, muito tempo atrás, Zeus, o deus dos deuses, se enamorou por uma jovem moça chamada Leda. Encantado, assumiu a forma de um formoso cisne e a atraiu até uma oculta caverna, onde lhe preencheu o ventre com seu líquido divino.
Passados nove meses, Leda dava a luz a dois ovos: de um, saíram Cástor e Helena (aquela de Tróia); do outro, saíram Clitemnestra e Pólux.
Cástor e Pólux eram irmãos gêmeos unidos por uma fina amizade e pelo amor à aventura, sendo um adestrador de cavalos e feras e outro mestre em pugilismo. Demonstraram sua coragem quando fizeram parte do grupo grego que perseguiram a bela Helena, raptada por Páris; e quando engrossaram a fileira dos Argonautas (aqueles do signo de Áries).
Entretanto, não foi em meio a glórias armadas que amarguraram derrotas, mas sim no combativo e imprevisível campo do amor. Os jovens de apaixonaram por duas moças – Hilária e Febe – que já estavam prometidas para outros irmãos gêmeos – Idas e Linceu. Tentam roubá-las, levá-las em cavalos, mas Idas e Linceu aparecem e se travaram duas lutas homem a homem.
Em um mesmo campo, gêmeos contra gêmeos. Pólux enfrentaria Linceu enquanto, ao seu lado, Cástor deveria dar uma lição em Idas.
A luta começa.
Pólux se diverte. Linceu era grande, mas lento. Tinha força, mas lhe faltava técnica. Pula de um lado para o outro e, rapidamente, vê o adversário perder o fôlego. Arrisca um toque, dois, três... E golpeia-o de verdade. O supercílio se rasga e seu rosto fica banhado em sangue. Pólux gargalha face o desespero daquele gigante ensangüentado. Sem dó, lhe aplica mais um golpe, dessa vez no nariz. Mais sangue se esvai. Um cruzado de direta e três dentes voavam da boca e, antes que pudesse se recuperar, outro cruzado, agora com a mão esquerda de Pólux, fazia o grande Linceu girar a cabeça 180 graus, perder mais dois dentes e cair nocauteado no chão.

Pólux ergue o braço – a vitória era sua.

Volta-se para o irmão, domador de cavalos, que travava uma luta equilibrada com Idas. Cástor lhe dirige uma piscadela, cumprimentando-o pela vitória, e perde um precioso segundo – segundo que Idas usa para lhe aplicar um murro na cabeça que o nocauteia instantaneamente. O irmão de Linceu usava uma ferradura dentro das luvas.


Cástor morre.


Enfurecido, Pólux espanca o assassino de seu irmão e chora. Chora se perguntando a Zeus porque Cástor não era imortal como ele. A verdade é que Zeus era pai apenas de Pólux e de Helena: Cástor e Clitemnestra eram filhos de Tíndaro, marido de Leda e, assim sendo, jamais foram semideuses.
Em meio ao pranto e ao desespero, Pólux abre a mão da própria vida eterna em troca da alma do irmão.
Zeus, compadecido, tenta negociar com Hades a vida do garoto, mas o deus dos Ínferos se nega. “Impossível”, disse ele a Zeus, “ Impossível um homem retornar da morte sem que um alto preço seja pago”.
Mas o jovem estava disposto a pagar o fosse: abre mão de sua imortalidade para poder reencontrar seu irmão. Hades aceita o preço e os gêmeos passaram, então, a viver seis meses do ano nos Ínferos e os outros seis meses no Olimpo, eternamente juntos.

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