sábado, 25 de abril de 2009

Aula 16 – Falência Colonial – Parte 02

Conforme havia prometido, continuo aqui a falar sobre Tiradentes. Francisco José da Silva Xavier foi um homem usado pelos inconfidentes como tradutor social: era Tiradentes quem andava a preparar o terreno para a revolução em meio à massa, que não teria conhecimento para digerir as informações que os revoltosos elitistas falavam. Entretanto, como a Inconfidência foi um movimento fraco, Tiradentes não recebe todas as glórias a que tem. Foi durante a República Velha que a sua imagem recebeu o dom das “cristianização” e que sua fama foi tecida, visto que o novo governo precisava de heróis para disseminar suas idéias com mais facilidades, com exemplos palpáveis.
Dentro dessa imagem de luta, mais interessante teria sido utilizar a Revolução Dos Alfaiates (Inconfidência ou Conjuração Baiana). Por quê? Perceba com a pequena comparação abaixo acerca dos dois movimentos:


INCONFIDÊNCIA MINEIRA

Elitista
- Formada por membros intelectualizados da sociedade mineira
Escravista
- Manteria o sistema de trabalho escravista dentro das minas
Separatista
- Vislumbrava a criação de um Estado Mineiro

CONJURAÇÃO BAIANA

Popular
- Formada pela massa simples baiana
Abolicionista
- Findaria o regime de escravidão no Estado
Emancipacionista
- Vislumbrava o rompimento com Portugal e a independência do Brasil


A Conjuração, seria, muito mais emblemática para uma nova República, apesar de ter tido tantos efeitos práticos quanto à Inconfidência. Mas por que, então, ela não foi utilizada? Simples: por ser uma luta de pessoas simples. Imbecil, não?


Abaixo, conforme havia prometido, a letra da música Ninguém = Ninguém, dos Engenheiros do Hawaii, em que vislumbramos o paradoxo das duas lutas brasileiras, e as imagens de Tiradentes e Cristo utilizadas em sala de aula.


Ninguém = Ninguém

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém

Me encanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro

Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém = ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes

Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém = ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais...
uns mais iguais...





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