Açúcar no cais do porto – é na estiva, na estiva. Quem lá trabalha se sente morto... A alma morta, mas a carne ainda viva. Era tudo igual, era todo dia.
Portugal começa a se preocupar com navegações de outros países que costeavam a sua colônia. Até 1532, o Brasil servia apenas como área de descanso – para navegadores – e como área de desocupação portuguesa – com o envio de degredados para a região (assaltantes, assassino, cristãos novos, prostitutas). Mas como o uti possidetis era lei mundial, a coroa lusitana aplica na ex Terra de Santa Cruz o sistema de capitanias outrora utilizado nas ilhas portuguesas ao longo do Atlântico.
O Brasil fica a meses de distância de Portugal; o Brasil tem um clima avesso ao Europeu; o Brasil era a casa dos degredados. Nobre português algum queria morar por essas terras. Para atrair investimentos, a coroa decide, então, tornas as capitanias hereditárias e concede capital inicial para qualquer conterrâneo que viesse colonizar as terras. Dos que vieram, se destacam Duarte Coelho – na capitânia de Pernambuco – e Martim Afonso de Sousa – na capitânia de São Vicente. Capitânias essas que sobreviveram com o plantio de cana de açúcar.
Ao se plantar cana de açúcar, duas grandes classes sociais se fazem presente: a classe senhorial e a base de trabalho escravista.
Apesar de estar acima da carne seca, a vida do senhor de engenho não é moleza. A comida é escassa e de péssima qualidade. Morriam cedo, normalmente por conta de problemas estomacais.
Já a vida do escravo – aqui já o africano predomina – se mescla com o dia a dia nos engenhos. Plantio, Colheita. Tarefas árduas e com metas a se cumprir. Na moenda, onde a cana vira caldo, observamos o trabalho feminino e acidentes terríveis que custavam membros da população escrava. Na Casa das Caldeiras, ou Casa dos Cobres, o caldo era purgado (purificado) a custa de seis etapas básicas:
01 – Primeiro caldeirão – aqui, o caldo da cana era aquecido a altas temperaturas e a sujeira que subia era retirada com uma escumadeira. Apesar de sujo, o caldo é riquíssimo em açúcares e era dado aos porcos.
02 – Segundo caldeirão – aqui, ainda a altas temperaturas, o caldo recebia decoada (mistura de água e cinzas) para que a sujeira a ele se grudasse, subisse e pudesse ser escumada. Da escumada, os escravos faziam cachaça.
03 – Terceiro caldeirão – ainda altas temperaturas; ainda decoada. É a mais “limpa” das sujeiras e, muitas vezes, era separada para doces para as crianças. Aqui, o ponto do caldo é o chamado melaço.
04 – Primeiro tacho – servia, basicamente, para reduzir a temperatura do caldo. Aqui ele era batido até começar a açucarar. Quando acontecia, ele ia para o...
05 – Segundo tacho – para que o açucaramento não cristalizasse o caldo por completo, você o jogava em outro tacho e batia até a massa ficar fofa. Caso aqui se pare o processo, teremos rapadura.
06 – Terceiro tacho – muda-se a massa para um outro tacho onde ele será batido até que a rapadura comece a açucarar. Quando acontecer tal processo, o caldo é colocado em formas de telha, onde ele vai secar e cristalizar, dando assim origem ao açúcar.
Nos portos brasileiros, chegavam holandeses que recolhiam aquele açúcar bruto, o refinavam e o distribuíam à Europa. E assim o Brasil seguia, economicamente, dentro da lógica açucareira. Mas quando D. Sebastião morre em Portugal, a situação fica tensa...
A música que embalou a aula foi Estivador da banda mineira Skank. Segue aqui a letra:
Estivador
Açúcar no cais do porto
É na estiva, é na estiva
Ás vezes me sinto morto
A alma morta, a carne viva
Podiam me esquecer
É tudo igual, é todo dia
Disputas na estivagem
Viver de amor, calor e briga
Capo é um bom selvagem
Empurra o fardo com a barriga
Podiam reconhecer
Alguém mais fraco sucumbia
Mas eu aguento a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador
As putas do porto partem
Na convulsão dos dias quentes
Que voltem, que se fartem
Com meu coraçãozinho ardente
Podiam lembrar de mim
Alguém sincero lembraria
Mas eu seguro a carga do vapor
Sou calejado, sou estivador.

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