Em Al-Ksar Al-Kebir, D. Sebastião, rei de Portugal, evapora. Seu parente mais próximo, D. Fernando, assume o trono, mas, por ter feito votos de castidade, não tinha herdeiros oficiais. Passados apenas dois anos sobre o trono português, Fernando falece. Falece e vemos, então, a antiga dinastia Avis extinguir. E mais uma vez, a Lusitânia afundava em uma crise dinástica.
Antes, quando o último Castela falece, D. João de Avis sobe ao trono. Dessa vez, isso não iria se repetir. Felipe da Espanha reclama o trono e o recebe. Temos, então, a chamada União dos Tronos Ibéricos (Portugal e Espanha). Ou, simplesmente, União Ibérica.
União que vai causar mal estar, visto que Espanha e Holanda se odiavam. Assim sendo, D. Felipe corta relações com os holandeses que, indignados, invadem o Brasil e fundam a Nova Amsterdã Brasileira.
Passados 60 anos (1580 – 1640) a união das coroas conhecerá seu fim quando a casa dos Bragança se une com a Inglaterra e depõe Filipe III – que havia reinado mal Portugal – e a paz volta a reinar (em termos). O tempo que os Holandeses ficaram no Brasil foi mais que suficiente para que aprendessem a tratar a cana e dê-la fazer açúcar. A concorrência se fez e o açúcar brasileiro perdeu seu mercado. Agora, quem tinha pequenos engenhos tinha que se virar para sobreviver. E na ânsia de um novo produto, uma nova terra, uma nova promessa, o ouro brasileiro desponta.
Na Região das Minas Gerais, teremos o que é descrito como “A Febre Amarela”. A Europa se esvazia, Portugal quase morre e o Brasil incha perante o metal mais cobiçado da Terra. Metal que não era dado a torto e a direito: quem achasse o precioso metal nas terras que pertencem a Portugal devia avisar a coroa, que mandaria especialistas para constatar se o ouro ali descoberto era uma simples faísca (apenas um pedaço de ouro) ou um veio (quilômetros e quilômetro do elemento). Caso o veio fosse identificado, um lote (data) ia para o descobridor e as terras dos arredores eram divididas e vendidas a preços gigantescos. Preços pagos por uma terra que poderia ou não possuir ouro e fez com que, assim, o Brasil conhecesse finalmente uma vasta classe média.
Todo o domínio do ouro extraído, bem como a retenção de impostos, era feito pela Intendência das Minas que, ao receber o ouro a ser cunhado e selado, ficava com um quinto da produção do mineiro para que, ao final de um ano, se obtivessem cem arrobas (1500 kg) que teriam como destino os cofres de Portugal e da Inglaterra. Entretanto, ao longo dos anos, o ouro conhece seu esgotamento. Assim sendo, mesmo se puxando o quinto, não se conseguia formar os 1500 kg. É quando surge Marquês de Pombal e sua (para os brasileiros) pavorosa Derrama – um imposto complementar ao quinto.
O imposto será tão odiado que a região das minas irá se rebelar. Mas isso é assunto de uma outra aula. Por enquanto, Chico Buarque com a música Vai Passar fica aí para vocês.
Vai passar
Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

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