segunda-feira, 25 de maio de 2009

Simulado do sábado passado

Estava bem fácil, não é? Querem que eu coloque aqui o gabarito comentado?

Aula 22 – Parte 02

Figura curiosa, intelectual e tecnicista, D. Pedro faz um governo estruturado em estruturas políticas fantásticas, como o Parlamentarismo às Avessas, que garantia a sua imagem permanecer limpa e clara, enquanto a dos ministros era enxovalhada a cada dia. Guia o Brasil que fazia do Café seu máximo produto e pilar econômico – graças a uma campanha propagandística impensável anquela época – e desafiando países poderosos como a Inglaterra – durante a Questão Christie. Ajuda a testar o Telefone com Bell e, com os fios de sua barba, mantém segura a estabilidade. Mas nem tudo seriam flores.

Na aula, a música utilizada foi Partido Alto, imortalizada por Chico Buarque, mas interpretado em sala por Cássia Eller – em versão própria. É a descrição perfeita de um nobre, um membro da família real, que dá a “sorte” de nascer no Rio de Janeiro.


Partido Alto

Deus é um cara gozador
Adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo
Tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado
Me botar cabreiro
Na barriga da miséria
Eu nasci brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, oh nega
E se Deus não dar
Como é que vai ficar, oh, nega?
"à Deus dará" , "à Deus dará"

Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, oh nega
E se Deus negar
eu vou me indignar e chega
Deus dará , Deus dará

Jesus Cristo ainda me paga
Um dia ainda me explica
Como é que pôs no mundo
Essa pobre titica
Vou correr o mundo afora
Dar uma canjica
Que é pra ver se alguém se embala
Ao ronco da cuíca
Um abraço pra aquele que fica, meu irmão

Deus me deu mãos de veludo
Prá fazer carícia
Deus me deu muitas saudades
E muita preguiça
Deus me deu pernas compridas
E muita malícia
Pra correr atrás de bola
E fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia

Deus me fez um cara fraco
desdentado e feio
Pele e osso, simplesmente
Quase sem recheio
Mas se alguém me desafia
E bota a mãe no meio
Eu dou porrada a três por quatro
E nem me despenteio
Porque eu já tô de saco cheio.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aula 22 – Segundo Reinado – Parte 01

E a Regência, professor?
A Regência, formalmente, está inserida no Segundo Reinado. A Regência é uma saída, uma solução a um problema previsto: a imaturidade do Imperador. Assim sendo, o que temos é uma tentativa dos ex-partidos de montarem uma República Brasileira e limar o poder do imperador.
Ex-partidos? Sim. Com a saída de Pedro, não há mais nexo em se haver um partido Restaurador. Agora, eles se redividiriam da seguinte forma:

PARTIDO RESTAURADOR + PARTIDO MODERADO = PARTIDO CONSERVADOR

PARTIDO EXALTADO + PARTIDO MODERADO = PARTIDO LIBERAL

Um visava segurar o poder até Pedro II poder assumir; outro já tinha como sonho derrubar o pequeno Pedro antes mesmo dele cair. Assim sendo, tudo foi feito como previa a lei: primeiro, houve a formação de uma Regência Trina Provisória, para convocar as eleições; depois, elegeu-se uma Regência Trina Permanente, para que o poder fosse por ela exercido por todo o tempo. Entretanto, três pessoas dividindo o poder executivo NUNCA dá certo e, mais uma vez, tal agremiação teve que ser abolida na História. Agora, o que tínhamos, era um Ato Adicional (não confundir com Ato Institucional) de 1834, que reduzia o número de regentes a um. Diogo Feijó assumiu e um boom se fez ao longo do Brasil – revoltas mil estouraram nesse momento. Em uma jogada para culpar os conservadores pelo mau governo, Pedro de Araújo Lima subiu ao cargo de regente e, a despeito do que se esperava, ele conseguiu contornar a situação. Indignados, os Liberais aram um ardiloso plano: adiantar a maioridade de Pedro para que ele, rápido, caia. E assim é feito. Com menos de quinze anos, o garoto sobre ao trono brasileiro e deveria ficar cerca de apenas três meses.
Ficou quarenta e nove anos.

Aula 21 – Primeiro Reinado – Parte 02

O Grito do Ipiranga normalmente é visto e avaliado como um movimento fraco, morto em si mesmo. Mas qual movimento não é?
Durante muito tempo se disse que a Tomada da Bastilha foi decisiva para Revolução Francesa. Entretanto, sabemos que a Bastilha estava desativada e que poucos ali ainda se mantinham presos – entre eles o fabuloso Marquês de Sade. Mas, até hoje, a Tomada ainda é vista como grandiosa, mas agora não pelo seu ato em si, mas por sua representação. Assim sendo, o que nos impede tanto a odiar a História do Brasil e a nela botar defeitos?
Temos erros, sim. Tivemos Pedro como um político que não figura no hall dos melhores, é verdade. Entretanto, toda a simbologia que se constrói em torno de seu mítico brado é uma aula de História pontuada com doses de nacionalismo. Não há mal algum. Ao contrário, há a necessidade de se acolher o sabor verde-amarelo, ainda que todos saibamos que a Independência, sobre vários aspectos, se faz paradoxal.
Ao arrancar os laços que nos prendiam a Portugal, o Brasil se livrou do jugo joanista e abraçou o Império de Pedro I, filho de D. João. Uma dívida gigantesca foi contraída para o reconhecimento de nossa independência e o recém-fundado Banco do Brasil conheceu sua primeira falência em 1828, ao término da Guerra Cisplatina. Não foi o melhor movimento de todos, mas, ao menos, estávamos independentes.
Independentes e sobre tensões política. Pedro I ordena que uma Constituição seja estruturada e surge, em 1823, o projeto Constituição da Mandioca.
A Const. Da Mandioca previa uma cota de alqueires plantados da erva para que, só então, um brasileiro pudesse votar e ser votado. É a questão censitária fazendo presente – o que não incomodava o mais novo imperador. Entretanto, o texto demasiado iluminista limitava por demais os poderes do supremo soberano. Pedro não aceita, invade a constituinte e temos o que conhecemos por “A Noite da Agonia”. Noite em que agoniza a Mandioca e se planta a semente da Constituição de 1824, a Constituição Outorgada.
A Outorgada previa a divisão dos quadro poderes, sendo que o executivo e o moderador – que fazia a mediação entre os três poderes – ficariam sempre nas mãos do Imperador. Era a sua forma que, sob uma capa iluminista, manter essência absoluta. Inicia um governo bem diferente do que se esperada. Apesar de ter o partido Restaurador ao seu lado – que defendia todos os poderes sobre si –, os demais partidos – Moderados e Exaltados – não estavam tão cegamente satisfeitos.
Pedro consegue ir contornçaando a situação o quanto pode, até que seu pai, D. João VI, morre em 1826. Era hora de partir. Um filho teu não foge à luta. E o Brasil? O Brasil era uma criança e ficara na mão de OUTRA criança: D. Pedro II.

A música da aula foi o nosso fabuloso Hino Nacional. A letra é de Joaquim Osório Duque Estrada e a versão apresentada foi a tocada pela Orquestra Paulista. Pode ser encontrada facilmente no sítio dominiopublico.gov.br.


Hino Nacional

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Aula 21 – Primeiro Reinado – Parte 01

A semente fora plantada. D. João parte, mas deixa seu filho com uma missão clara: tomar a coroa caso necessário, antes que algum aventureiro o faça.
E assim foi.
Portugal agora vive uma situação delicada: há um rei, mas ele não possui governabilidade. É uma mera peça decorativa, perdendo seu poder executivo. Poder esse que se intensifica, olha para a ex-colônia e exige a imediata volta do príncipe lusitano. A Portugal, interessava extinguir o vasto império luso-brasileiro e retornar o Brasil ao status de Colônia. O pacto, enfraquecido com a vinda da Coroa para o Brasil, seria reforçado.
Mas quem já foi rei, não quer perder a majestade.
No Brasil, O Partido Brasileiro e o Partido Português se unem e recolhem milhares de assinaturas da população para mostrar a Pedro a força que ele tinha dentro da colônia. E ele, em janeiro de 1822, manda dizer ao povo que fica. Poucos meses depois, ainda lança a política do “Cumpra-se”, que se dignava a acatar apenas as atitudes portuguesas interessantes ao Brasil. E mais pontos com a população o príncipe marca. Mas, para o futuro seio imperial, não era suficiente.
Pedro era um exímio estrategista, mas não havia sido criado para ser, de fato, um rei – ao contrário de sua esposa, uma mulher que trazia, em seu berço, o cunho Habsburgo.
Chega ao Rio uma carta de Portugal, uma carta forçada de D. João, pedindo a Pedro que cumpra as diretrizes portuguesas. Indignada, Leopoldina escreve então ao seu marido, que estava com Domitila, marquesa de Santos, em seu ninho de amor, convocando-o a se mostrar um digno imperador.

“O pomo está maduro. Colheo-o já, senão apodrece.”

E assim Pedro fez. Ao receber as cartas, às margens do Ipiranga, ele ordena aos seus Dragões que arranquem os laços que os prendem a Portugal. Afinal de contas, agora, é Independência.
Ou morte.
Para uma Guerra o Brasil se prepara. Mas, a bem da verdade, ela não vem. E por isso mesmo a História brasileira é, injustamente, ridicularizada. Vamos abrir nossos olhos. Reclamamos muito, mas fazemos pouco. Com cuidado, vamos explorar esse tema. E a sua segunda parte.

Antes de mais nada...

...quero agradecer de coração ao carinho dos meus amados alunos da 516 Sul e da 704 Norte pela preocupação e desejos de melhoras. Saibam que só não estive com vocês essa semana por expressa recomendação médica, mas que, semana que vem, estou de volta a 100%.
Entretanto, é claro, não deixei vocês na mão: mandei um professor a quem confio plenamente como profissional e amigo. Espero que, assim como eu, vocês tenham ficado satisfeito com as aulas poéticas e filosóficas do meu amigo Tércio Martins.
Saibam que sempre é bom estar com vocês, brincar com vocês e, aos que vão e aos que ficam, um bom dia!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Aula 20 – A Família Real no Brasil

O tema da nossa vigésima aula deve ser abordado sobre dois aspectos básicos: a saída e a chegada. É o que o Cespe quer que você entenda.
As movimentações entre Espanha e França se mostravam cada vez mais gloriosas. Tratados e pactos já eram feitos acerca de terras futuramente governadas – entre elas, Portugal. Portugal que, desde a outorga do Bloqueio Continental, cozinhava em banho-maria a paciência de Napoleão Bonaparte.
Quando o Bloqueio é instaurado, Portugal não a ele adere imediatamente visto que as histórias de Portugal e da Inglaterra se mesclam desde a fundação, no início do século XII, da pátria lusitana (caso você não se lembre, consulte as aulas antigas!). Assim sendo, D. João não deu uma resposta direta nem para a Inglaterra nem para a França. E teve o fim que conhecemos.
Ao saber dos planos franco-espanhóis, D. João VI, príncipe regente se volta para a terra anglicana um plano de fuga é cunhado. E aqui vem o primeiro ponto interessante: a saída.
A saída da Coroa garante sua permanência e força fora do território europeu, mas, para os portugueses, a atitude tomada foi covarde, mesquinha. Salvação política, destruição social. O ódio é tamanho que a França declara o banimento da família Bragança da Europa.
Meses navegando... Uma viagem tensa, dura. E, finalmente, a Coroa chega. E aqui temos o segundo ponto interessante.
A chegada da Família Real, ao contrário da saída, é heróica. As longas distâncias não permitiam o rápido acesso à informação e, assim sendo, perceber o poder político se deslocando sem razão aparente para a colônia significava a importância daquele solo já tão explorado. É o que provamos em sala de aula quando comparamos a vida pré-Família e pós-Família. Teatros, bibliotecas, faculdades, escolas régias, princípios de independência econômica: tudo graças à Família Real.
Acontece que o mundo não pára em 1808: ele se alonga e muito. Alonga-se até 1815, quando o Congresso de Viena é conclamado marcando, assim, a derrota definitiva de Napoleão. Alonga-se até 1815, quando o Congresso, que deveria repartir as terras conquistadas pela França, nega à Coroa Lusitana o direito à Portugal. Alonga-se até 1815, quando D. João VI, em uma hábil manobra política, afirma jamais ter deixado Portugal e eleva o Brasil a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Alonga-se até 1820, quando a população portuguesa, insatisfeita com a permanência da Família no Brasil, se insurge e instaura a Revolução Liberal do Porto. E por fim, essa aula ainda se alonga até a saída de D. João VI e seu recado para Pedro:
“Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, toma a coroa para ti, antes que algum aventureiro lance mão dela.”
E o que Pedro faz? Vemos em breve. Por enquanto, deixo cá a letra de Babylon, de Zeca Baleiro, escolhida para a aula.


Babylon

Baby!
I'm so alone
Vamos pra Babylon!
Viver a pão-de-ló
E möet chandon
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...

Gozar!
Sem se preocupar com amanhã
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...

Comprar o que houver
Au revoir ralé
Finesse s'il vous plait
Mon dieu je t'aime glamour
Manhattan by night
Passear de iate
Nos mares do pacífico sul...

Baby!
I'm alive like
A Rolling Stone
Vamos pra Babylon
Vida é um souvenir
Made in Hong Kong
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...

Vem ser feliz
Ao lado deste bon vivant
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...

De tudo provar
Champanhe, caviar
Scotch, escargot, rayban
Bye, bye miserê
Kaya now to me
O céu seja aqui
Minha religião é o prazer...

Não tenho dinheiro
Pra pagar a minha yoga
Não tenho dinheiro
Pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda
Pra descolar a merenda
Cansei de ser duro
Vou botar minh'alma à venda...

Eu não tenho grana
Pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa
Por isso que eu ando roto
Nada vem de graça
Nem o pão, nem a cachaça
Quero ser o caçador
Ando cansado de ser caça...

Não tenho dinheiro
Pra pagar a minha yoga
Não tenho dinheiro
Pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda
Pra descolar a merenda
Cansei de ser duro
Vou botar minh'alma à venda...

Eu não tenho grana
Pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa
Por isso que eu ando roto
Nada vem de graça
Nem o pão, nem a cachaça
Quero ser o caçador
Ando cansado de ser caça...

Ai, morena! Viver é bom
Esquece as penas
Vem morar comigo
Em Babylon...