terça-feira, 19 de maio de 2009

Aula 21 – Primeiro Reinado – Parte 02

O Grito do Ipiranga normalmente é visto e avaliado como um movimento fraco, morto em si mesmo. Mas qual movimento não é?
Durante muito tempo se disse que a Tomada da Bastilha foi decisiva para Revolução Francesa. Entretanto, sabemos que a Bastilha estava desativada e que poucos ali ainda se mantinham presos – entre eles o fabuloso Marquês de Sade. Mas, até hoje, a Tomada ainda é vista como grandiosa, mas agora não pelo seu ato em si, mas por sua representação. Assim sendo, o que nos impede tanto a odiar a História do Brasil e a nela botar defeitos?
Temos erros, sim. Tivemos Pedro como um político que não figura no hall dos melhores, é verdade. Entretanto, toda a simbologia que se constrói em torno de seu mítico brado é uma aula de História pontuada com doses de nacionalismo. Não há mal algum. Ao contrário, há a necessidade de se acolher o sabor verde-amarelo, ainda que todos saibamos que a Independência, sobre vários aspectos, se faz paradoxal.
Ao arrancar os laços que nos prendiam a Portugal, o Brasil se livrou do jugo joanista e abraçou o Império de Pedro I, filho de D. João. Uma dívida gigantesca foi contraída para o reconhecimento de nossa independência e o recém-fundado Banco do Brasil conheceu sua primeira falência em 1828, ao término da Guerra Cisplatina. Não foi o melhor movimento de todos, mas, ao menos, estávamos independentes.
Independentes e sobre tensões política. Pedro I ordena que uma Constituição seja estruturada e surge, em 1823, o projeto Constituição da Mandioca.
A Const. Da Mandioca previa uma cota de alqueires plantados da erva para que, só então, um brasileiro pudesse votar e ser votado. É a questão censitária fazendo presente – o que não incomodava o mais novo imperador. Entretanto, o texto demasiado iluminista limitava por demais os poderes do supremo soberano. Pedro não aceita, invade a constituinte e temos o que conhecemos por “A Noite da Agonia”. Noite em que agoniza a Mandioca e se planta a semente da Constituição de 1824, a Constituição Outorgada.
A Outorgada previa a divisão dos quadro poderes, sendo que o executivo e o moderador – que fazia a mediação entre os três poderes – ficariam sempre nas mãos do Imperador. Era a sua forma que, sob uma capa iluminista, manter essência absoluta. Inicia um governo bem diferente do que se esperada. Apesar de ter o partido Restaurador ao seu lado – que defendia todos os poderes sobre si –, os demais partidos – Moderados e Exaltados – não estavam tão cegamente satisfeitos.
Pedro consegue ir contornçaando a situação o quanto pode, até que seu pai, D. João VI, morre em 1826. Era hora de partir. Um filho teu não foge à luta. E o Brasil? O Brasil era uma criança e ficara na mão de OUTRA criança: D. Pedro II.

A música da aula foi o nosso fabuloso Hino Nacional. A letra é de Joaquim Osório Duque Estrada e a versão apresentada foi a tocada pela Orquestra Paulista. Pode ser encontrada facilmente no sítio dominiopublico.gov.br.


Hino Nacional

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

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