A cada signo do zodíaco, um mito grego latino lhe dá forma e símbolo. A pedidos, continuaremos a saga do nosso herói Hércules (como já retratada parte com o signo de Leão) e, assim, chegaremos ao signo de Câncer.
Após o retorno do herói, o rei Eristeu ficara extremamente apavorado. O Leão de Neméia havia sido um oponente terrível e aquele homem, seu primo, voltara de sua campanha trajando sua pele como um verdadeiro (e digno) troféu. Entretanto, para sorte do rei e azar de Héracles, a Grécia era extensa o suficiente para ser consagrada reduto das mais temíveis bestas.
O porta voz do rei Eristeu, Copreu, fora encarregado de entregar ao filho de Zeus sua próxima tarefa (o rei jamais chegara perto de Hércules novamente desde o seu retorno de Neméia):
- Héracles, filho de Zeus, bem deves saber que por essa terra vagam feras indescritíveis. Uma delas é o fruto da união de Tifeu e Equidna, um ser que palavras são insuficientes para lhe descrever em poder, terror e força. No pântano de Lerna, na Argólida, ela se fez adulta e, de tempos em tempos, sobe à superfície e destrói os rebanhos dos pastores e as nossas plantações.
O que mais a ela se aparente em descrição é uma gigantesca serpente senhora de nove cabeças, sendo uma delas imortal. Eis, então, seu próximo trabalho: por fim à existência da Hidra.
Mais uma vez, Héracles deixaria seu destino nas mãos dos deuses. Subiu em uma carruagem com seu sobrinho, amigo e escudeiro Iolau e se dirigiram ao lar do monstro. Após poucos passos, os dois puderam ver a temida Hidra perto de sua caverna, junto às fontes de Amimone. O senhor do manto de Neméia, então, embebedou algumas de suas flechas em piche, as acendeu e as lançou na caverna da fera, obrigando-a a revelar-se completamente. Sibilava em ódio de uma forma tão intensa que Iolau sentiu sua espinha congelar. Já Héracles aproximou-se sem medo e a agarrou por um dos seus pescoços. A serpente começou a lhe enroscar os pés ao passo que Héracles, com sua clava, se pôs a esmagar as cabeças do monstro. Era, entretanto, uma guerra sem fim: a cada golpe a Hidra lhe afrouxava o aperto mortal, mas de cada cabeça destruída lhe nasciam outras duas. Para retirar o jogo do seu prumo, Hera, ainda mordida pelo ciúme do filho semideus de Zeus, havia mandado um caranguejo gigantesco para ajudar a fera, cravando-lhe as garras nos pés do rapaz. Entretanto, a força divina que corria nas veias do filho de Zeus foi suficiente para que um golpe de clava esfacelasse a rígida carapaça do caranguejo e moesse-lhe a carne. Iolau, então, insuflou-se de coragem partiu em seu auxílio com uma tocha feita de um dos galhos grossos da floresta que os cercavam. Hércules recomeçou a esmagar-lhe as cabeças e Iolau rapidamente queimava-lhe o pescoço para que novas não surgissem, sobrando apenas a cabeça imortal. Com sua espada, o filho de Alcmena mediu aquele grotesco ser, olhos nos olhos e, entre silvos de dor e ódio, entre botes e esguichos de veneno, um golpe rápido, limpo e certeiro fez sua cabeça rolar pelo ar enquanto espirrava seu sangue envenenado.
A cabeça fora enterrada embaixo de uma rocha gigantesca e o corpo fora partido ao meio e, na poça de sangue formada, Héracles banhou suas flechas que passaram a provocar desde então feridas incuráveis.

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